• A autopublicação

    A autopublicaçãoParticipei, recentemente, de um fórum de discussões cujo tema era a autopublicação. Os argumentos dos que se posicionavam contra essa forma de publicação - que devemos às novas tecnologias - parecem-me claros: a qualidade dos textos nem sempre é digna de ser publicada tanto pelo conteúdo quanto pela forma pois na grande maioria dos casos esses autores não contam com revisores e corretores que constituem etapas indispensáveis no processo de publicação de um livro por uma editora. 

    Apesar de ser parte interessada por ter publicado, eu mesma, meus livros, parece-me impossível questionar tais argumentos. É fato que encontramos livros mal escritos e/ou mal formatados e outros cujos temas apresentam um interesse relativo. Ora, seria hipócrita não admitir que o ideal de todo escritor é ver seu trabalho publicado por uma editora reconhecida, em todo caso é o meu, e ter, assim, sua obra devidamente comercializada em livrarias. Contudo, o número cada vez maior de autores e a relevância relativa dos temas propostos fogem ao alcance dos imperativos comerciais das editoras. A autopublicação impõe-se, então, como um excelente meio de divulgação de trabalhos que nunca teriam sido antes publicados. O autor deverá, depois disso, preparar-se para as apreciações do leitores, nem sempre amáveis, pois serão eles os seus críticos diretos. 

    Dentre os diversos argumentos a favor, o que considerei mais interessante e pertinente não encontrava-se na discussão citada mas em um texto escrito por Paulo Coelho em uma edição especial da revista Época em junho de 2012 intitulado "O intelectual está morto, viva o intelectual". Ele afirma que pela primeira vez em nossa história temos acesso irrestrito a bens culturais fazendo com que o autor desconhecido comece a ter a possibilidade "de encontrar o seu lugar ao sol de maneira rápida e efetiva, independentemente do apoio tradicional da mídia". Colocando tal fato em uma edificante perspectiva histórica, ele nos lembra o pouco ou nenhum reconhecimento que certos autores tiveram de críticos literários ou da imprensa em sua época e nos dá alguns exemplos: ao falar de Shakespeare, o crítico literário Lord Byron teria dito que "seu nome é supervalorizado, logo será esquecido", ou citando o jornal Le Figaro em 1857 ao afirmar que "Flaubert não é um escritor" ou ainda o New York Herald Tribune ao comentar o lançamento de O Grande Gatsby afirmando que "esse livro não dura uma temporada". 

    Paulo Coelho termina seu artigo convidando essa nova geração de escritores brasileiros a servirem-se dos novos meios de produção e divulgação que estão a seu alcance sem preocuparem-se em agradar necessariamente aos que ele chama de pseudoeruditos referindo-se aos críticos literários. 

    Ele sabe do que fala. Esse autor, que sempre foi desprezado por críticos literários, é o escritor brasileiro mais traduzido e mais publicado fora do Brasil, muitos dos seus livros obtiveram um enorme sucesso comercial em vários países, em particular aqui na França. Acredito que Erika Leonard James posicionaria-se, também, a favor da autopublicação pois foi assim que o sucesso fenomenal da saga "Cinquenta tons de cinza" - quarenta milhões de exemplares vendidos - começou. 

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