• Para o ensino da antropologia nas escolas

    Há alguns dias comecei uma pequena campanha para o ensino da antropologia nas escolas. Solitária, mas cheia de convicção. O momento é oportuno, principalmente aqui na França. Está tendo um debate em torno da ideia do ensino da laicidade e do fato histórico nas escolas. Que disciplina poderia melhor abordar esses temas do que a antropologia? Ora, a principal característica dessa disciplina é a neutralidade, ela não se limita a transmitir o conhecimento, ela também age no olhar que se tem de si, dos outros e consequentemente da sociedade na qual vivemos. 

    Escrevi, então, à Ministra da Educação Nacional. Também enviei minha sugestão a alguns debates em radios francesas. Eu sei, no entanto, que essas cartas ficarão sem resposta, e é por isso que recorro agora a meu blog. Para convidar os que creem, como eu, que a antropologia poderia integrar o programa escolar dos alunos seja no primário ou em outros níveis de ensino, a aderirem a minha campanha. Assim, a laicidade seria ensinada em seu contexto histórico, e o fato religioso em um amplo painel que incluiria também religiões não monoteístas. E as diferenças culturais seriam mostradas como o que são: diferenças no sistema de valores e de pensamento, na visão do mundo, muito além das diferências culinárias ou de vestuário.

    Quando eu exercia a antropologia, fui chamada para intervir em uma associação humanitária que tinha uma missão na qual se misturavam diversas nacionalidades. Havia muitos conflitos pois o problema da interpretação dos comportamentos de uns pelos outros aumentava e atrapalhava o desenvolvimento de seu projeto. Eu preparei então uma conferência com a ajuda de um dos meus incontestados mestres, usei o discurso que Claude Lévi-Strauss fez na sede das Nações Unidas intitulado "Raça e história". Tentei quebrar seus paradigmas, inverter sua visão das coisas, e creio que obtive algum sucesso. Os ouvintes sairam de lá diferentes pois, antes, criticavam através do filtro de sua própria cultura, com um olhar carregado de seus próprios valores e conceitos pré-estabelecidos (ou preconceitos), em outras palavras, julgavam ao invés de tentar compreender. E é essa questão de interpretação errônea que se encontra no âmago dos conflitos interétnicos, sejam de pequena ou de grande escala.

    Não creio, evidentemente, que as coisas vão evoluir em uma boa direção como um toque de mágica, mas estou totalmente convencida que o ensino dessa disciplina nas escolas poderia tornar a vida em sociedade um pouco menos dura, que ela poderia contribuir com uma abertura do olhar de cada um de nós. O credo "diferentes mas iguais" adotaria, com ela, todo o seu sentido.

     

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