• Pão e Circo

    Pão e CircoPão e Circo é o título do livro que traduzi ano passado e acabou de ser publicado no Brasil. Recebi meu exemplar há dois dias. Fiquei emocionada ao ver minha contribuição a essa obra monumental materializada. A Editora Unesp mais uma vez fez um belo trabalho. O livro tem quase oitocentas páginas. O autor, o historiador e arqueólogo francês Paul Veyne, é um grande erudito, e também um perfeccionista, característica que se percebe facilmente em sua obra. Ele nos introduz habilmente nos minuciosos detalhes do evergetismo - o dom à coletividade -, um fenômeno amplamente difundido sob os impérios grego e romano, graças ao qual temos ainda hoje uma grande quantidade de arenas, termas e monumentos diversos, vestígios dessa prática.

    Indo de encontro a interpretações que definiam o evergetismo como tentativas de despolitização das massas ou simples clientelismo, Veyne disseca a complexidade desse fenômeno mostrando que ele vai muito além do seu aspecto puramente político e revela suas imbricações simbólicas e sociais. 

    Rigoroso, Veyne nos propõe simultaneamente uma sociologia histórica e uma história sociológica do evergetismo. Para os que se perguntam no que isso o distingue de um livro puramente histórico ou puramente sociológico, eu aconselharia uma lida no prefácio proposto pelo autor que esclarece essa questão com maestria do qual eu reproduzo algumas linhas: "...um mesmo evento, contado e explicado do mesmo modo será, para o historiador, seu legítimo objeto, enquanto para um sociólogo, será somente um exemplo usado para ilustrar tal regularidade, tal conceito ou tal tipo-ideal." É assim que em Pão e Circo - sociologia histórica de um pluralismo político, encontramos as noções de carisma, de expressão, de profissionalização (entre outras) para explicar eventos, mas que também são descritas para serem usadas como ilustração de fatos históricos. 

    O que é surpreendente em um livro desse nível erudição é sua linguagem simples, acessível ao comum dos mortais. O que gerou em mim, inclusive, muitas dúvidas ao traduzi-lo, pois eu achava um tanto incongruente usar expressões banais como "matar dois coelhos com uma cajadada só" ou "entrar por uma orelha e sair pela outra". Mas era esse o teor das expressões originais. O desconforto que senti deve-se, com certeza, a um certo pedantismo com o qual convivi no universo acadêmico. E é exatamente esse aspecto que torna sua obra excepcional.    

     

     

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  • Commentaires

    1
    Jeudi 10 Décembre 2015 à 14:15

    Parabéns, Li, por essa grande realização! Espero que tenha um retorno muito positivo.

    Sucesso!

      • Jeudi 10 Décembre 2015 à 16:55

        Obrigada, Diana! 

        E muito sucesso para você também.

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