• Introdução

    IntroduçãoCinéfila desde que me entendo por gente, já faz algum tempo que venho pensando em incluir um módulo sobre o cinema francês no meu blog. Na verdade, essa vontade nasceu quando li um artigo na revista Veja há uns três anos criticando o cinema francês ao afirmar que, aqui, não se produzia nada de bom além de grandes produções inócuas como a série dos "Astérix". Lamento não ter anotado o nome do autor do artigo, mas lamento ainda mais que um profissional da mídia não se informe antes de escrever um texto. Ora, o cinema francês nunca esteve tão fecundo como nos últimos anos, produzindo aproximadamente 200 filmes por ano. A distribuição, o marketing, o público ou mesmo a universalidade do tema é que fazem com que alguns sejam conhecidos mundialmente, como "Les intouchables" ou "La môme", e outros - a grande maioria, limitem-se ao território francês.

    É bem verdade que alguns filmes são muito franco-franceses para serem apreciados ou até mesmo compreendidos por um público estrangeiro ou que não se interessa pela cultura francesa (problemas muito específicos como por exemplo sobre o sistema escolar ou o sistema de saúde etc.). Outros são extremamente intimistas, profundos demais para quem prefere filmes de ação (não é um julgamento de valores). Os filmes mais existencialistas, por sua vez, podem ser deprimentes para quem prefere não pensar no sentido da vida (que, sejamos honestos, dependendo do ângulo de visão pode ser assaz cruel). Mas não seria essa particularidade que nós, francófilos, procuramos quando assistimos a um filme francês?

    Francês também sabe fazer blockbusters, mas quando isso acontece ninguém sabe que o filme é francês. Como o último filme de Luc Besson, Lucy. Talvez porque seja falado em inglês (porque diabos? seria porque ação não combina com a língua de Molière? mas afinal, o inglês é também a língua de Shakespeare, de Beckett, de Hemingway... também tenho difiiculdade em entender quando filmes franceses que fazem sucesso são refeitos pela indústria americana em inglês com atores americanos, what the heck?).

    Por morar aqui, por ser francófila e cinéfila, vou tentar divulgar, através do meu blog, um pouco do que o cinema francês tem produzido. Minha iniciativa seria uma forma de despertar o interesse pelos filmes que serão distribuídos no Brasil e por aqueles que não passarão nas telas brasileiras, mas que, graças ao meios tecnológicos dos quais dispomos hoje, podem ser vistos por outros canais. Gostaria de compartilhar uma certa concepção do cinema, que é também uma maneira de compartilhar a cultura com a qual eu lido cotidianamente além dos estereótipos. Queria, enfim, tantos anos depois de ter lido aquele artigo da Veja, tentar modestamente corrigir uma injustiça. Sei que é uma gota d'água no oceano. Mas é uma gota cheia de convicção e de paixão pela cultura com um C maiúsculo. Davi contra Golias : primeiro episódio.