• O hangul, a língua coreanaComo alguns o sabem, morei dois anos e meio na Coreia do Sul. Inclusive incluí neste blog uma rúbrica para falar sobre minha agradável experiência e das ricas descobertas que fiz nesse país. Uma delas foi o idioma coreano, que merece uma página aqui, em nossas conversas, que dedico ao universo da tradução e das letras.

    As origens da língua coreana são ainda hoje objeto de discussão, a tese mais provável sendo aquela que a associa ao grupo das línguas altaicas que inclui idiomas como o turco e o mongol, entre outros, que encontram-se concentrados na Asia Central. Qualquer que seja sua origem, o coreano se tornou uma língua distinta, falada apenas na Coreia, tendo sido unificada e uniformizada por toda a península desde o século VII. Não existem dialetos no país, apenas algumas diferenças mínimas de pronúncia entre as diversas regiões que o compõem.

    O que existe, porém, de único com relação a este idioma foi a passagem da língua oral à escrita com a criação do hangul, o alfabeto coreano. Criado em 1446 pelo rei Sejong, considerado o "rei sol" coreano por ter sido um dos mais brilhantes da história do país, tinha o objetivo de democratizar a leitura tornando-a accessível a toda a população e não somente a um grupo privilegiado de pessoas que usavam, até então, o chinês como idioma de transmissão escrita. O hangul incorpora todos os sons pronunciados pela língua coreana tendo como fonte de inspiração a própria fisiologia humana pois o desenho das letras procura reproduzir os movimentos dos órgãos que participam a sua articulação, sendo compostas de curtos traços horizontais, verticais e círculos que representam o contorno da garganta ou o movimento da língua no momento em que tais letras são pronunciadas. 

    A criação e o estabelecimento do hangul é considerado um caso único no mundo, inscrito no Patrimônio Cultural da UNESCO em 1997.

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  • LivrosAqui na França fala-se muito de um certo receio quanto ao futuro dos livros em seu formato tradicional, ou seja, impresso em papel. Não sou do tipo nostálgico nem daqueles que recusam a tecnologia mas, para mim, sentar em uma espreguiçadeira ou em uma rede, no jardim ou na praia e folhear um livro é um dos grandes prazeres da vida, como também o é entrar em uma livraria, ler os títulos dos novos lançamentos, procurar o nome de um autor querido nas prateleiras, conversar com o vendedor e saber mais sobre o que está acontecendo no universo literário do lugar onde nos encontramos. Adoro o cheiro de livro, seja ele novo ou velho, em grandes livrarias ou em sebos.

    Recentemente li um artigo no jornal carioca O Globo que me inspirou essas linhas porque ele me fez pensar em um outro aspecto que também faz do livro de papel um objeto único e insubstituível: a dedicatória escrita pela mão do autor ou daquele que oferece um livro. Porque o gesto de oferecer um livro vai muito além do objeto dado, mostra que você conhece aquele para quem o livro é destinado, seus gostos, seu humor ou, quando não, revela seu interesse em compartilhar uma descoberta, um país, uma história que o transportou, o enriqueceu, o transformou. E a dedicatória fixa, então, aquele momento, como uma fotografia dos sentimentos e da relação que existia entre aquele que oferece e aquele que recebe o livro em questão. O link que deixo abaixo é a íntegra desse artigo do jornal O Globo que mencionei acima, ele fala de livreiros que encontraram em seus livros antigos dedicatórias que contam histórias de vida, namoros, flertes ou amizades, algumas com final triste outras com final feliz, todas, contudo, emocionantes. Convido-os a lerem-no antes de comprarem seu ipad. 

    http://oglobo.globo.com/rio/ps-eu-te-amo-6826279

     

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  • Tradutores de línguas raras

    No universo da tradução, o inglês parece ser predominante tanto como o idioma de partida (língua-fonte) quanto o de chegada (língua-alvo), fato observável não somente pelo grande número de ofertas de trabalho como também pelos diversos cursos de formação universitária ou em escolas privadas que trabalham com o inglês.

    Quando comecei a trabalhar na França, descobri que as agências de tradução ou cursos de idiomas franceses consideravam o português uma "língua rara" (apesar dos 280 milhões de falantes), o que gera algumas contrapartidas financeiras vantajosas para compensar o menor número de oferta de trabalho. 

    Na semana passada li uma entrevista muito interessante com a tradutora francesa Brigitte F. Bresson, que trabalha com o malaio, língua oficial na Malásia, em Brunei e em Singapura mas falada também na Indonésia, nas Filipinas, na Tailândia e no Timor Leste, de acordo com o Wikipédia. Acredito que apesar dos 200 milhões de falantes desse idioma concentrados no sudeste asiático, ele também seja considerado, aqui no ocidente, uma língua rara. A entrevista aborda um pouco esse aspecto, ela fala do tipo de trabalho que traduz e do seu cotidiano na Malásia, país onde reside. Achei interessante divulgá-la, para os aspirantes tradutores ou mesmo para os tradutores confirmados, não somente para uma curta - porém edificante - visão do universo literário malaio mas também para conhecermos mais um aspecto da nossa profissão.

    A entrevista está em francês, foi publicada na revista Lettres de Malaisie e pode ser lida no endereço abaixo:  

    http://lettresdemalaisie.com/2013/02/19/rencontre-avec-brigitte-f-bresson-traductrice-litteraire-en-malaisie/

    Desejo-lhes uma boa leitura!

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  • Fidus interpres

    Todos nós, tradutores, sabemos que, apesar dos esforços de sindicatos e profissionais da área nesse sentido, nossa profissão não é regulamentada o que muitas vezes torna a obtenção ou mesmo a partilha de informações bastante complicada. Quando comecei a me documentar sobre ela, um livro me foi extremamente útil pelo seu pragmatismo, por abordar temas essenciais e práticos da profissão que abrangem desde a classificação das suas diversas áreas de atividades aos mecanismos do mercado, passando pelo uso das importantes ferramentas técnicas ou questões ligadas à terminologia, incluindo outras um pouco mais subjetivas, como as representações existentes sobre os tradutores ou o que faz um bom ou um mau tradutor, todas baseadas na longa experiência de seu autor Fábio M. Said. Esse livro intitula-se Fidus interpres. A prática da tradução profissional, foi publicado em 2010 e uma segunda edição foi feita em 2011 mas será retirado de circulação em 2013. É um livro que eu definitivamente recomendo. Os interessados encontrarão abaixo os links para uma eventual compra ou para folhearem as primeiras páginas.  

    Fidus interpres

     

    Para quem se encontra no Brasil:

    https://clubedeautores.com.br

    Para quem se encontra fora do Brasil:

    http://www.lulu.com

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    Tradução editorial

    Desde que decidi me dedicar integralmente à tradução, tenho pesquisado e lido muito à respeito dessa profissão. Tenho percebido o quanto ela é versátil, muitos tradutores podem inclusive não reconhecerem-se em aspectos diferentes de um trabalho que permance, contudo, fundamentalmente, o mesmo. Digo isso porque percebi que estou tornando-me uma tradutora editorial. Embora não seja a especialização da tradução mais bem paga, é a que melhor me corresponde, em particular nesse momento da minha vida. Apesar de termos um prazo determinado por contrato para terminar a tradução de um livro, não temos aquela pressão cotidiana que ocorre quando trabalha-se para agências ou mesmo para clientes diretos que precisam, quase sistematicamente, de seus trabalhos para "ontem" e que uma pessoa não-competitiva como eu tem dificuldade em suportar. E mesmo que eu tenha, até então, traduzido livros da minha área, as ciências humanas e sociais, tenho conhecido novos autores e descoberto temas ricos e interessantes, como o livro que acabei de terminar. Falarei sobre ele mais tarde, quando já tiver sido publicado. Porém, devido à necessidade de uma grande concentração e a impossibilidade de fazê-lo sem uma distância crítica para uma releitura que somente o tempo permite, não é um ramo da tradução que pode ser exercido por aqueles que dependem financeiramente exclusivamente disso. Geralmente ela é exercida em paralelo por professores ou áreas afins. Quanto ao livro sobre o qual falarei no decorrer desse ano, ele me permitiu superar o rude inverno alsaciano com bom humor e satisfação.

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