• Coletânea de textos em Ciências SociaisDurante muitos anos exerci a profissão de antropóloga ensinando civilização brasileira na França e civilização francesa no Brasil e na Coreia do Sul. Nesse período, escrevi textos sobre o Brasil abordando questões sobre a nossa jovem democracia o que constituiu, inclusive, o tema central da minha tese de doutorado tornando-se o livro O Brasil para inglês ver. Focalizei minha análise nos valores dominantes na sociedade brasileira, e não no sistema eleitoral propriamente dito, considerados como a principal barreira para a instauração de uma democracia efetiva que se manifestasse além do ato de votar.

    Dentre os textos redigidos, alguns foram publicados em revistas e livros franceses, belgas e brasileiros especializados em Ciências Sociais. Tive o orgulho de ter um artigo publicado no prestigioso jornal francês Le Monde Diplomatique. Outros não foram publicados. 

    Decidi reuni-los em um livro a fim de manter a coesão de meu trabalho. Ao relê-los, fiquei surpresa em constatar o quanto esse tema ainda é, hoje, atual. Essa coletânea pode, assim, ser apreendida como um modo de observação da evolução da sociedade brasileira nos últimos vinte anos, o que mudou e o que mantém-se ainda inalterado.

    Mantive os textos no idioma em que foram originalmente escritos, consequentemente alguns podem ser lidos em português e outros em francês.

    Acredito que sejam meu melhor cartão de visitas. 

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  • Five reasons to learn Portuguese FIVE GOOD REASONS TO LEARN PORTUGUESE:

     1.  All around the world we can find linguistic and cultural Portuguese prints;

     2.  Portuguese is the second Latin language spoken in the world with 240 millions speakers (210 millions of them have Portuguese as their mother language);

     3. Portuguese is the official language in seven countries over three continents (Portugal, Brazil, Angola, Mozambique, Cape Verde, Guinea-Bissau and São Tomé e Príncipe) and the co-official language in Macau, East Timor and Equatorial Guinea;

    4.  Portuguese is one of the official working languages at nine International Organizations including the United Nations, the European Union, the Latin Union, the Mercosur, the Union of South American Nations, the Organization of American States, the African Union and the Organization of Ibero-American States;

    5.  Portuguese is a commercial and diplomatic language, therefore an important tool for those who want to work and live abroad, particularly in Brazil, one of the biggest economies in the world. 

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  • CINQ BONNES RAISONS POUR APPRENDRE LE PORTUGAIS :  

    1.  C'est une langue qui a voyagé sur toutes les latitudes en y laissant ses empreintes linguistiques et culturelles ; 

    2.  C'est la deuxième langue latine la plus parlée dans le monde avec 240 millions de locuteurs dont 210 millions en tant que langue maternelle ;

    3.  C'est la langue officielle de sept pays sur trois continents unis au sein de la Communauté des Pays de Langue Portugaise (Portugal, Brésil, Angola, Cap Vert, Guinée-Bissau, Mozambique, São Tomé et Príncipe) et la langue co-officielle à Macau, Timor Leste et Guinée Equatoriale ;

    4. C'est une des langues de travail de l'ONU, de l'Union Européenne, de l'Organisation de l'Unité Africaine, de la Communauté pour le Développement de l'Afrique Australe, de l'Union Latine, de l'Union Economique et Monétaire d'Afrique Occidentale, de l'Organisation des Etats Ibéroaméricains et du Mercosud ;

    5. C'est une langue commerciale et diplomatique, un important outil pour ceux qui désirent travailler et vivre à l'étranger et en particulier au Brésil, l'une des grandes puissances économiques de ce millénaire.

     

     

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  • No final de semana li um artigo que falava sobre o modo como a língua de um país estrutura o pensamento de um povo, considerada um dos principais elementos constitutivos da cultura. Esse debate é antigo, nem todos os especialistas concordam com essa corrente de pensamento e afirmam o contrário. Não vou, aqui, tomar partido, mas dizer que esse artigo me levou a pensar em uma reportagem interessantíssima que assisti recentemente sobre as mudanças sociais profundas que estão ocorrendo já há algum tempo na Suécia. O tema principal era o sexismo e os instrumentos de luta contra discriminações sexistas de um modo geral e a discriminação contra a mulher em particular. 

    Na Suécia, um dos países mais igualitários do mundo em termos de gênero, diferenças ligadas ao sexo estão sendo progressivamente abolidas. Elas vão desde a instauração da licença paternidade, a reivindicação da igualdade salarial entre homens e mulheres até a indistinção sexual nos hábitos vestimentares. Algumas famílias vestem seus filhos com vestidos, calças compridas ou saias indiscriminadamente. As crianças escolhem o que querem vestir sem se perguntar se aquela peça é (ou era), à princípio, usada por meninos ou meninas. Os cortes de cabelo também não obedecem à nenhuma distinção sexual. Nas creches e escolas primárias são feitos exercícios que mostram homens exercendo atividades antes consideradas femininas e mulheres exercendo atividades antes consideradas masculinas. O objetivo desses profissionais é anular qualquer identificação pelo sexo, considerada inútil na vida social pois nosso comportamento não deveria, segundo essa corrente, ser orientado pelo fato de ter-se diante de si um homem ou uma mulher. O que mudaria e porque? O respeito, a consideração, as regras cívicas devem ser indistinitamente aplicadas a um e a outro sexo.

    Porém, esses profissionais esbarraram-se em uma questão aparentemente anódina mas essencial para a evolução não somente da prática desses exercícios mas, em última instância, dos valores sociais dominantes: como mencionar uma pessoa sem que a questão da identidade sexual seja necessariamente implicada já que devemos dizer ele ou ela, han ou hon (pronomes pessoais masculino e feminino em sueco)? Criaram, assim, um pronome neutro, o pronome HEN, nem masculino nem feminino, que não existia no idioma sueco. 

    A criação e a introdução desse pronome neutro na língua sueca me pareceu um excelente tema de discussão referente à questão da influência da língua pela cultura ou da cultura pela língua. Sabemos que o pronome neutro existe em outras línguas, mas ele mostra o longo caminho que nós, de língua e cultura latinas, temos para percorrer a fim de atingirmos esse patamar de neutralidade na luta contra as discriminações sexuais. 

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  • Traduções complexas: Stefan Zweig

    Acredito que, como eu, outros brasileiros sintam uma certa afeição pelo escritor austríaco Stefan Zweig, mesmo sem tê-lo lido, provavelmente por ele ter adotado o Brasil como país de exílio até sua morte em 1942. Em sua prolífica obra consta o livro Brésil, Terre d'avenir no qual descreve um Brasil cordial e pacifista, em total oposição à Europa em guerra que ele havia deixado. A título pessoal, foi esse livro que inspirou minha tese de doutorado.   

    De acordo com o jornal "Livres Hedbo", Stefan Zweig é um dos escritores estrangeiros mais lidos na França. Por essa razão, nesse ano de 2013 uma oportunidade excepcional surge para os editores franceses pois ele marca a introdução de Stefan Zweig no domínio público, ou seja, o conjunto de sua obra não será mais submetido a direitos patrimoniais.

    Em um artigo na revista francesa Le Nouvel Observateur da semana passada, a jornalista Anne Crignon falava sobre o fenômeno da retradução massiva de suas obras, fato que achei pertinente comentar aqui pelos questionamentos que suas particularidades levantam no exercício de nossa profissão. Segundo ela, os quinze tradutores germanófilos reconhecidos aqui na França têm-se empenhado em substituir o trabalho de seu predecessor, considerado ultrapassado, tornando-o mais atual. 

    Fiquei surpresa em descobrir que os textos de Zweig eram escritos "com uma certa negligência, em um estilo tão descontraido e tão disparatado que o tradutor enlouquecia (...) perguntando-se como uma editora pôde aceitar imprimir tantos absurdos gramaticais, lexicais e sintáxicos. Se Zweig fosse traduzido tal qual ele escrevia, não tenho certeza que teria tanto sucesso". Seus tradutores questionam-se, assim, sobre o que devem deixar, o que devem retirar, teriam eles o direito de "consertar" tais contradições ou repetições do texto de origem? Aparentemente, seu primeiro tradutor permitiu-se algumas modificações.

    O artigo vai muito além dessa questão, mas o que me interessou particularmente, nele, foi saber que as questões ligadas à subjetividade do nosso trabalho são compartilhadas pelo conjunto da profissão, e se resume, para mim, em uma questão central: até que ponto um tradutor pode modificar o texto fonte para torná-lo mais compreensível para o leitor que pertence a uma cultura diferente da do autor? Essa questão me assombra em cada trabalho que efetuo, pois é ela que determina, na minha opinião, a qualidade de uma tradução: o equilíbrio entre o respeito do estilo do autor e a interpretação, a recriação e a transposição desse mesmo estilo em um outro universo de valores.

    O que me tranquilizou, contudo, foi perceber que meu tormento é legítimo. Eu diria que a única resposta possível para essa pergunta é aceitar que cabe a cada um de nós, individualmente, encontrar esse equilíbrio, pois é ele que distingue e personaliza o trabalho de cada tradutor.   

     

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