• Muitos talvez não saibam, mas nossa profissão é frequentemente subestimada ou mesmo desvalorizada por aqueles que acreditam que falar mais de um idioma é critério suficiente para a realização de uma boa tradução. Participei de muitos fórums de discussão com pessoas de diversas partes do mundo que abordavam esse assunto e pude constatar que esse equívoco é um fenômeno universal. Não vou me aprofundar agora nessa questão mas compartilhar um vídeo que resume e reverte brilhantemente essa visão errônea que infelizmente ainda predomina. Apreciem a fineza com a qual o seu autor, Erik Skuggevik, da Norwegian Association of Literaty Translators, manipula as palavras, as frases, o verbo (produzido por Iver Grimstad): 

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  • Publicação de "O mito da raça pura" no BrasilEm 2007, eu e minha família nos instalamos na Coréia do Sul onde vivemos durante dois anos e meio. Foi minha  primeira experiência asiática.

    Para uma antropóloga como eu, foi uma enorme descoberta, esse país se apresentava como um campo de estudos quase virgem, pois a abertura de suas fronteiras era relativamente recente. Com exceção dos americanos presentes desde o fim da guerra, os coreanos tinham pouco contato com o exterior. Dentre as suas diversas particularidades culturais, uma descoberta chamou muito minha atenção: os coreanos acreditam ser uma raça pura. Sendo oriunda da sociedade brasileira considerada por especialistas a sociedade mestiça por excelência, interessei-me por este aspecto que considero central na sociedade coreana. No momento em que o mundo fervia e vivenciava a criação de novas sociedades através de um processo de mestiçagem cultural, linguístico e étnico, principalmente durante as grandes descobertas marítimas, os coreanos fechavam suas fronteiras e consolidavam uma forte solidariedade interna. Buscando os elementos simbólicos de sua coesão social no mito de origem personificado pela imagem de Tangun, o pai fundador, a crença na pureza de sua raça se consolidou, fazendo-os acreditar que pertencem, todos, a uma mesma linhagem de sangue. Foi essa perspectiva que eu me interessei em verificar, principalmente hoje, quando os membros do antigo Reino Ermita, que se protegeu do contato com o exterior durante séculos, são obrigados a estabelecer relações com os estrangeiros que se instalam, cada vez mais numerosos, em seu próprio território.

    A pesquisa, as observações e as entrevistas realizadas durante esses dois anos gerou um livro que chamei de "O mito da raça pura na Coréia do Sul". É um livro para neófitos, introdutório, sem pretensões, um olhar mais do que um estudo. Eu o havia publicado primeiramente na Coreia em 2009, em francês, e mais tarde o publiquei também aqui na França. Em 2011 decidi traduzi-lo para o português mas sua comercialização era feita através da Amazon sediada na Inglaterra, o que implicava um custo de envio muito alto. Hoje pude, enfim, colocá-lo em um site brasileiro, o Clube dos Autores, a pedido de uma professora da USP que o recomendou a seus alunos.

    Espero que esse pequeno livro possa transportá-los comigo no País das Manhãs Calmas

    https://clubedeautores.com.br/book/150831--O_mito_da_raca_pura

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  • A autopublicaçãoParticipei, recentemente, de um fórum de discussões cujo tema era a autopublicação. Os argumentos dos que se posicionavam contra essa forma de publicação - que devemos às novas tecnologias - parecem-me claros: a qualidade dos textos nem sempre é digna de ser publicada tanto pelo conteúdo quanto pela forma pois na grande maioria dos casos esses autores não contam com revisores e corretores que constituem etapas indispensáveis no processo de publicação de um livro por uma editora. 

    Apesar de ser parte interessada por ter publicado, eu mesma, meus livros, parece-me impossível questionar tais argumentos. É fato que encontramos livros mal escritos e/ou mal formatados e outros cujos temas apresentam um interesse relativo. Ora, seria hipócrita não admitir que o ideal de todo escritor é ver seu trabalho publicado por uma editora reconhecida, em todo caso é o meu, e ter, assim, sua obra devidamente comercializada em livrarias. Contudo, o número cada vez maior de autores e a relevância relativa dos temas propostos fogem ao alcance dos imperativos comerciais das editoras. A autopublicação impõe-se, então, como um excelente meio de divulgação de trabalhos que nunca teriam sido antes publicados. O autor deverá, depois disso, preparar-se para as apreciações do leitores, nem sempre amáveis, pois serão eles os seus críticos diretos. 

    Dentre os diversos argumentos a favor, o que considerei mais interessante e pertinente não encontrava-se na discussão citada mas em um texto escrito por Paulo Coelho em uma edição especial da revista Época em junho de 2012 intitulado "O intelectual está morto, viva o intelectual". Ele afirma que pela primeira vez em nossa história temos acesso irrestrito a bens culturais fazendo com que o autor desconhecido comece a ter a possibilidade "de encontrar o seu lugar ao sol de maneira rápida e efetiva, independentemente do apoio tradicional da mídia". Colocando tal fato em uma edificante perspectiva histórica, ele nos lembra o pouco ou nenhum reconhecimento que certos autores tiveram de críticos literários ou da imprensa em sua época e nos dá alguns exemplos: ao falar de Shakespeare, o crítico literário Lord Byron teria dito que "seu nome é supervalorizado, logo será esquecido", ou citando o jornal Le Figaro em 1857 ao afirmar que "Flaubert não é um escritor" ou ainda o New York Herald Tribune ao comentar o lançamento de O Grande Gatsby afirmando que "esse livro não dura uma temporada". 

    Paulo Coelho termina seu artigo convidando essa nova geração de escritores brasileiros a servirem-se dos novos meios de produção e divulgação que estão a seu alcance sem preocuparem-se em agradar necessariamente aos que ele chama de pseudoeruditos referindo-se aos críticos literários. 

    Ele sabe do que fala. Esse autor, que sempre foi desprezado por críticos literários, é o escritor brasileiro mais traduzido e mais publicado fora do Brasil, muitos dos seus livros obtiveram um enorme sucesso comercial em vários países, em particular aqui na França. Acredito que Erika Leonard James posicionaria-se, também, a favor da autopublicação pois foi assim que o sucesso fenomenal da saga "Cinquenta tons de cinza" - quarenta milhões de exemplares vendidos - começou. 

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  • Como já disse aqui mesmo nesse blog, fui aluna do Centro Europeu de Tradução Literária (CETL), uma das mais bem conceituadas escolas de tradução da Europa localizada em Bruxelas, na Bélgica. Publiquei um artigo sobre ela há alguns meses.

    Essa escola organiza, anualmente, diversos estágios de formação relacionados à tradução como, por exemplo, aulas sobre o trabalho com legendas para filmes, edição de textos ou estágios de reescritura. Esses estágios acontecem no Colégio Europeu de Tradução Literária no castelo de Seneffe, em Seneffe, pequena cidade belga localizada à aproximadamente 40km de Bruxelas.

    Recebi e transmito, aqui, aos interessados, o convite para a cerimônia de encerramento desse ano letivo que ocorrerá no dia 31 de agosto às 15h45, no Petit Théâtre do Castelo de Seneffe. Durante a cerimônia será atribuído o Prêmio de Tradução Literária de 2013 pela federação Valônia-Bruxelas. Os participantes poderão também assistir ao debate sobre o tema da retradução da obra de Stefan Zweig com Diane Meur e Françoise Wuilmart, especialistas desse autor. Abaixo encontra-se a retranscrição em francês do convite e o link da escola com informações detalhadas sobre os estágios.

     

    INVITATION 

    Fadila LAANAN, Ministre de la Culture, de l’Audiovisuel, de la Santé et

    de l’Egalité des chances,

    Jacques DE DECKER - Président du Collège européen

    des Traducteurs littéraires de Seneffe,

    Françoise WUILMART - Directrice du Collège européen des Traducteurs

    littéraires de Seneffe,

    ont le plaisir de vous inviter à la séance de clôture de la session 2013 du

    Collège européen des Traducteurs littéraires de Seneffe et à la remise du

    Prix de la Traduction littéraire 2013 de la Fédération Wallonie-Bruxelles.

    La séance se tiendra au Petit Théâtre du Château de Seneffe,

    le samedi 31 août 2013 à partir de 15h45.

    Adresse : 6, rue Lucien Plasman - 7180 Seneffe

    RSVP avant le 29 août au 02 413 23 21 ou michelle.dahmouche@cfwb.be

    Pour toute information : Françoise WUILMART au 0496 25 01 52

    PRIX DE LA TRADUCTION LITTÉRAIRE

    DE LA FÉDÉRATION WALLONIE-BRUXELLES

    ET DÉBAT SUR LA TRADUCTION

    À L’HONNEUR : STEFAN ZWEIG

     

    SAMEDI 31 AOÛT 2013

    Programme

    16h00 : Accueil par Jacques DE DECKER, Président du Collège

    16h15 : Présentation de la session 2013 du Collège par

    Françoise WUILMART, Directrice du Collège

    16h45: «Stefan ZWEIG, double langage» - Débat avec Diane MEUR et Françoise

    WUILMART animé par Jacques DE DECKER et Alain VAN CRUGTEN

    Les traductions de Stefan ZWEIG, qui datent pour certaines

    d’un demi siècle, ont souffert de l’épreuve du temps, rendant

    nécessaire leur retraduction intégrale dans un soucis de

    modernisation et de fidélité à la version originale. Diane MEUR

    et Françoise WUILMART se sont attelées à la tâche mais pour

    des éditeurs différents. Elles seront invitées ici à confronter

    leur approche respective du grand conteur et de certaines

    difficultés inhérentes à son écriture.

    18h : Remise du Prix de la Traduction littéraire 2013

    18h30 : Réception dans le patio du Collège

     

    http://www.traduction-litteraire.com/

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  • Vícios de linguagem

    Não sou linguista mas desde que comecei a trabalhar com idiomas e principalmente com traduções para o português, minha língua materna, tenho estado mais atenta ao modo como me exprimo. Observo também como as pessoas se expressam sejam elas amigas ou anônimas, jornalistas ou autores. Meu marido diagnosticou esse meu comportamento como uma saudável deformação profissional pois meu objetivo é evoluir, aprender, melhorar. 

    Recentemente li um artigo na página facebook do professor Márcio Wesley que falava sobre os vícios de linguagem, chamando a atenção para a construção "vou estar enviando", "vou estar transferindo" ou "não pude estar comparecendo" que parece estar na moda. Ele afirma que "o que parece chique, na verdade, é de lascar". Seria mais simples e correto dizer "enviarei", "não pude comparecer" ou "telefonarei".  

    Eu já havia percebido e mesmo comentado essa estranha construção - talvez até a tenha usado. Aproveito, então, o assunto para falar de um outro fenômeno recorrente que observei no Brasil: a omissão do pronome oblíquo nos verbos pronominais que deixam, assim, de ser pronominais ("ela chama Maria", "meus pais divorciaram","ele arrependeu do que disse"). Fui então ler um pouco sobre o assunto para verificar se não era um engano meu, com tantas reformas na língua portuguesa talvez eu tivesse perdido essa.

    Após uma rápida pesquisa, confirmei que existem verbos essencialmente pronominais e verbos acidentalmente pronominais. Ou seja, alguns verbos devem somente ser conjugados com o pronome reflexivo (como o verbo arrepender-se) e outros tornam-se pronominais quando representam atitudes próprias do sujeito (como o verbo mudar que torna-se mudar-se). A professora Maria Tereza de Queiroz Piacentini diz em seu site que já existe um aval para a eliminação, inclusive no nível culto da língua, do pronome reflexivo junto a alguns verbos tornando-os facultativos, como por exemplo o verbo casar-se ou sentar-se. Mas recomenda o uso do pronome reflexivo sempre que a situação o exija. 

    Ora, eu acreditava, até então, que a regra gramatical era, em si, uma exigência. Em minha modesta opinião, acho que esse excesso de reformas e "permissões" estão dificultando a comunicação ao invés de facilitá-la pois estão empobrecendo a língua portuguesa em nosso país. Pessoalmente sou contra, acho que deveríamos, ao contrário, encontrar um meio de valorizar e divulgar o uso culto de nosso idioma. Depois do "que" universal ("o restaurante que eu comi", "a pessoa que eu falei", "o lugar que fui"), da banalização do tu conjugado na 3ª pessoa do singular, assistimos ao desaparecimento da reflexividade dos verbos pronominais. Pergunto, então, a que outro vício de linguagem será dado o próximo aval? Quais serão as próximas discrepâncias gramaticais que receberão a permissão de introduzirem-se e instalarem-se oficialmente em nossa língua? Até onde seremos condescendentes com a degradação da linguagem coloquial em nosso país? Ao invés de investir em reformas gramaticais onerosas e estéreis que engendram confusão, o governo deveria investir mais - e muito mais - no ensino básico. 

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