• A comida coreanaAntes de eu ir para a Coreia, ouvia muito falar sobre o fato dos coreanos comerem carne de cachorro ou polvos vivos. No que diz respeito à carne de cachorro, ela não consta mais dos hábitos alimentares do coreano já há algum tempo embora não possa afirmar se no campo remoto esse hábito ainda perdure. Quanto ao polvo vivo, esse sim é considerado um prato sofisticado servido em ocasiões especiais. Pode ser consumido inteiro, que eu, pessoalmente, desaconselho (algumas pessoas já morreram asfixiadas ao fazê-lo), o mais comum, sendo, contudo, os tentáculos recém cortados que são servidos ainda em movimento à mesa.  

    Mas a cozinha coreana vai muito além disso, embora não apresente uma grande variedade de iguarias. Ela é quase sistematicamente composta de vários pequenos pratos com legumes, peixes secos e frescos, queijo de soja, sopas e verduras servidos no centro da mesa onde cada um pode se servir diretamente no recipiente comum a todos, seja com suas baguetes ou com uma colher. Para os coreanos, comer é um verdadeiro momento de partilha mesmo se, de acordo com a etiqueta, não se deve falar à mesa. Embora a grande maioria dos restaurantes sirva pratos únicos compartilhados por todos, pode-se também encontrar alguns pratos individuais como o bibimbap, uma mistura de arroz, legumes, carne picada e um ovo estrelado regado à molho de soja e óleo de gergelim.

    Uma das mais marcantes caractérísticas da comida coreana é a pimenta, muitos desses legumes são extremamente apimentados. Mas atenção, os pratos "quentes" baianos são fichinha quando comparados com os "quentes" coreanos. 

    O que eu acho mais interessante nesse país é o fato deles terem criados vários pratos diferentes com os mesmos legumes e carnes de base, inclusive com o nosso feijão  com arroz nacional. O arroz aqui compõe vários pratos de diferentes maneiras, sucos e sobremesas, inclusive o principal doce coreano é feito à base de arroz: eles produzem diferentes tipos de arroz, pretos, rosas, brancos e jogam com as cores pra decorar bolos de casamento. E o que é mais interessante ainda é a maneira como usam o feijão mulatinho: encontramos o feijão em recheio de pães, brioches e - pasmem - como cobertura de sorvete que faz o maior sucesso. Eles usam muitos legumes pra fazer doces como a ervilha, a abóbora, e até a babosa com a qual eles fazem um suco delicioso e saudável. 

    Ir ao restaurante pra mim era um grande programa porque a gente nunca sabia o que ia comer: tem o churrasquinho que é preparado na própria mesa instalada com um buraco no meio onde colocam a brasa, você só tem que assar; tem o que eu chamo de "fondue coreana", um caldo cheio de sabores de frutos de mar, temperos e algas que vem fervendo na mesa onde você cozinha sua carne, sua massa ou seu peixe; tem uma trouxinha que a gente faz com as diversas verduras, folhas em particular, colocando um pedaço de carne ou de peixe, arroz, legumes e mergulhando no molho de soja. Tudo com muito tempero, óleo e sementes de gergelim, molho de soja, e a famosa pimenta vermelha. E, claro, junto a todos essas iguarias nunca falta o kimchi, sobre o qual já falei aqui, onipresente, servido como acompanhamento ou em sopas, em panquecas e mesmo nos restaurantes ocidentais. 

    Muitos estrangeiros que encontrei não apreciavam a comida dali e preferiam pagar três ou quatro vezes o valor da comida local por uma comida internacional. Quanto a mim, preferi brincar de cobaia e me submeter a essa tortura de sabores.

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